A bordo e offshore
Climatização a bordo: como funciona o HVAC-R de embarcações de apoio offshore
Numa embarcação de apoio offshore, a climatização vai além do conforto. O ar-condicionado mantém habitáveis os camarotes e as salas de comando, a ventilação alimenta e resfria a praça de máquinas, e a refrigeração conserva a comida da tripulação. Tudo num casco que vibra, balança e vive cercado de água salgada.
Veja como esses sistemas funcionam, o que muda em relação a um prédio e como planejar a manutenção sem atrapalhar a operação.
Em resumo
- O HVAC-R de bordo cuida das acomodações, da ventilação da praça de máquinas e das câmaras de provisões.
- Sal, vibração, pouco espaço e funcionamento contínuo mudam o projeto e a manutenção.
- A ISO 7547 orienta o ar-condicionado das acomodações; a ISO 8861, a ventilação da praça de máquinas.
- Pela NR-30, manutenção em embarcação em operação começa com análise de risco, sob responsabilidade do comandante.
O que o HVAC-R faz numa embarcação de apoio offshore?
O PSV leva equipamentos, suprimentos e insumos de perfuração da base em terra até sondas e plataformas. O AHTS, além de abastecer, manuseia âncoras e reboca essas unidades.
Num projeto descrito por um fabricante de HVAC-R naval, a embarcação de apoio recebe unidade de tratamento de ar, condensadora resfriada por água do mar, ventiladores, coifa da cozinha, dampers corta-fogo e de fumaça, eliminadores de névoa, filtros da praça de máquinas e refrigeração das câmaras de provisões.
A Convenção sobre Trabalho Marítimo (MLC 2006), em vigor no Brasil desde 2021, pede ar-condicionado no alojamento da tripulação, nas salas de rádio e no controle central de máquinas dos navios construídos depois que ela passou a valer no país da bandeira, salvo os que operam regularmente em clima temperado.
O que muda em relação à climatização de um prédio?
O ciclo de refrigeração é o mesmo. Muda o ambiente:
| Ponto | Prédio em terra | Embarcação de apoio |
|---|---|---|
| Ar externo | Poeira e poluição urbana | Sal, umidade e respingos do mar, que corroem equipamentos |
| Destino do calor | Condensadora a ar no telhado ou na fachada | Muitas vezes a água do mar, por trocador resistente à corrosão, como o de titânio |
| Movimento | Estrutura parada | Vibração dos motores e balanço do mar |
| Espaço | Casa de máquinas com acesso | Compartimentos apertados; serviço em espaço confinado segue a NR-33 |
| Funcionamento | Varia com o uso | Contínuo, porque a tripulação mora a bordo |
| Técnico e peça | Chegam por terra | Precisam embarcar ou esperar a volta à base |
Quais sistemas de ar-condicionado são usados a bordo?
- Expansão direta: o gás refrigerante resfria o ar na serpentina. Pode ser um split, com cassete e condensadora, ou uma unidade de tratamento de ar com condensadora, que pode ser resfriada a água do mar.
- Água gelada: um chiller resfria a água que circula até as unidades de tratamento de ar. Em navios, o condensador do chiller costuma ser resfriado por um circuito de água do mar.
- Unidade de tratamento de ar: mistura ar externo e de retorno, filtra, resfria ou aquece e distribui pelos dutos. Pela RDC 72/2009 da Anvisa, o compartimento da caixa de mistura é exclusivo da climatização: nada pode ser guardado ali.
Como funciona a refrigeração das câmaras de provisões?
A comida da tripulação fica em câmaras frigoríficas, separadas para resfriados e congelados. O ciclo é o de qualquer câmara fria. Muda o entorno: sal, vibração e, no mar, nenhuma loja de peças por perto.
A MLC 2006 pede inspeções frequentes e documentadas, pelo comandante ou sob as ordens dele, dos mantimentos e dos locais e equipamentos que os armazenam, câmaras incluídas.
Por que a praça de máquinas precisa de ventilação própria?
Essa ventilação tem duas funções: entregar aos motores o oxigênio da combustão e retirar o calor dos motores de propulsão e auxiliares. A ISO 8861 traz os requisitos de projeto e a base de cálculo dessa ventilação em navios com motor diesel. Nas tomadas de ar, venezianas e separadores de gotas próprios para navios barram chuva, umidade e respingos do mar.
Quais normas valem para o HVAC-R de bordo?
| Referência | O que trata |
|---|---|
| ISO 7547:2022 | Projeto e cálculo do ar-condicionado e da ventilação das acomodações de navios mercantes, com anexos para controle de máquinas, passadiço e paiol de mantimentos secos |
| ISO 8861:1998 | Projeto e cálculo da ventilação da praça de máquinas |
| MARPOL, Anexo VI, regra 12 | Gases que destroem a camada de ozônio, como os HCFC |
| RDC 72/2009 da Anvisa | Manutenção, operação, controle e limpeza da climatização da embarcação |
| NR-30 | Segurança na manutenção de embarcação em operação |
Algumas classificadoras têm notações voluntárias de conforto: a DNV oferece a COMF-C, de clima interno, e a ABS tem guias de habitabilidade com critérios de clima interno, ruído e vibração. Em plataformas, a NR-37 exige climatização contínua sempre que houver trabalhadores a bordo.
Como planejar a manutenção preventiva sem parar a operação?
Pela NR-30, toda manutenção em embarcação em operação começa com análise de risco, que indica se é preciso permissão de trabalho, e cabe ao comandante assegurar as medidas de prevenção. O tripulante também não deve acumular manutenção com vigilância, navegação, carga ou descarga. Alguns cuidados ajudam:
- Janelas da operação: o PSV carrega na base em terra, e o tempo no porto pode receber o serviço mais demorado.
- Reserva testada: o projeto citado acima prevê espaço para um conjunto reserva. Nos navios sujeitos ao Código ISM, equipamentos reserva de sistemas críticos têm de ser testados regularmente.
- Peças a bordo: no mar, a reposição depende da logística da embarcação.
- Registro: a Anvisa pode pedir as planilhas de manutenção, e sistemas com HCFC têm livro de registro nos navios obrigados ao certificado IAPP.
Como a Termaxis atende o HVAC-R a bordo
A Termaxis tem equipe técnica preparada para aplicações navais e offshore, com bases em Macaé, São Gonçalo e Recreio e atendimento em todo o território nacional.
- Avaliação técnica: levantamos os sistemas da embarcação e fazemos o dimensionamento e a especificação dos equipamentos.
- Fornecimento: equipamentos e peças com garantia, de quem projeta e instala.
- Instalação certificada: equipe própria, sem terceirizar etapas essenciais, com cassetes, condensadoras e sistemas completos já instalados em embarcações.
- Manutenção preventiva e corretiva: com responsabilidade técnica, EPIs e as NRs aplicáveis, como NR-10, NR-34 e NR-35.
- Atendimento 24 horas: equipe técnica a qualquer hora.
Perguntas frequentes
Embarcação precisa de PMOC?
A Lei 13.589/2018 exige o PMOC de edifícios de uso público e coletivo. Para embarcações que passam por portos de controle sanitário, vale a RDC 72/2009 da Anvisa: sem usar o nome PMOC, ela pede, quando a autoridade solicitar, as planilhas de manutenção, operação, limpeza e desinfecção e os laudos de qualidade do ar.
O ar-condicionado de bordo ainda pode usar R-22?
O R-22 (HCFC-22) é um HCFC, e a MARPOL proíbe instalar sistema novo com HCFC em navio desde 1º de janeiro de 2020. Os existentes podem operar e ser recarregados, mas o gás não pode ir para o ar: na manutenção, é recolhido e, se não for reutilizado a bordo, desembarcado para destinação adequada.
A NR-37 vale para embarcação de apoio?
Não. A NR-37 vale para plataformas de petróleo e unidades de manutenção e segurança, e o próprio texto exclui as embarcações de apoio marítimo, que seguem a NR-30.
Quer conversar sobre o HVAC-R da sua embarcação?
Fale com a equipe técnica da Termaxis. A gente entende o seu sistema e explica o que ele precisa.
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Termaxis
Soluções completas em HVAC-R, do projeto à manutenção: climatização, ventilação, aquecimento e refrigeração, em prédios e a bordo. Bases em Macaé, São Gonçalo e no Recreio, no Rio de Janeiro, com atendimento em todo o território nacional.
Fontes
- ISO 7547:2022, acomodações de navios
- ISO 8861:1998, praça de máquinas
- Decreto nº 10.671/2021 (MLC 2006)
- IMO: MARPOL, Anexo VI, regra 12
- EPA: HCFC-22 (R-22)
- Anvisa: RDC nº 72/2009
- NR-30, trabalho aquaviário
- NR-37, plataformas de petróleo
- Lei nº 13.589/2018
- DNV: notações de conforto
- ABS: habitabilidade da tripulação
- AMSA: manutenção planejada (Código ISM)
- Wärtsilä: embarcações de apoio
- ABB: HVAC a bordo
- Heinen & Hopman: embarcação de apoio
- Heinen & Hopman: sistemas navais
- Heinen & Hopman: praça de máquinas
- Camfil: ambiente marítimo
- Paul Mueller: água do mar




